Paróquia Centro de São Paulo reinicia trabalho com Moradores de Rua

03/08/2018

Retomada dos trabalhos em agosto de 2018
Retomada dos trabalhos em agosto de 2018
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Levai as cargas uns dos outros, assim cumprireis a lei de Cristo.” Gálatas 6.2

São Paulo terra da garoa, polo econômico do Brasil. Também terra dos contrastes. Onde se tem tudo e onde também não se tem nada. Extrema riqueza e extrema pobreza.

Caminhando por esta imensa cidade, a cada momento nos deparamos com pessoas em situação de rua. Os números variam muito. Oficialmente as pesquisas falam em torno de 16.000, mas extraoficialmente sabemos que o número é bem maior. São pessoas que, por alguma circunstância da vida, acabaram numa situação tal, que hoje vivem em albergues ou mesmo dormindo debaixo de marquises dos prédios na rua, e passam os dias perambulando nas praças e ruas pedindo alguma esmola.

Uma situação incômoda que nos faz perceber as contradições do mundo em que vivemos e que nos questiona como cristãos. Muitas vezes preferimos viver nos guetos de nossas comunidades e fechamos os olhos para não ver esta dura realidade.

A comunidade da Paróquia Centro de São Paulo, inserida neste contexto, não está isenta desta realidade. São nossos vizinhos, pessoas com as quais nos encontramos a cada instante andando pelas ruas e avenidas do centro da cidade.

Atendendo ao chamado de Jesus Cristo de “ser testemunha até os confins da terra” (Atos 1.8), a comunidade começou a olhar para estas pessoas com outros olhos, o olhar de Deus. Por isso, em vez de nos “livrar deles”, dando alguma esmola, como muitos fazem, resolvemos ir ao seu encontro. A comunidade abriu as suas portas para estas pessoas sofridas e marginalizadas pela sociedade.

Desta forma, no decorrer do ano de 1999, iniciamos o “TRABALHO COM PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA”. Um trabalho que começou de uma forma tímida com dois/três moradores de rua, quando os convidávamos para entrar nas dependências da igreja para um grupo de conversa. Vinham desconfiados, meio ariscos, mas aos poucos foram adquirindo confiança no trabalho da nossa igreja.

São pessoas que encontram em nossa comunidade um espaço de amor irmão, vida e de dignidade humana. Não fazemos cadastro de nenhum morador de rua, pois cadastro significa ter controle sobre as pessoas, e a nossa proposta é não controlar a vida de ninguém, mas de estar ao lado, caminhar juntos em seu sofrimento.

No trabalho realizado com muito amor e carinho pela comunidade, no qual não oferecemos cursos ou outra atividade nesta área, pois estes já são oferecidos por poderes públicos ou outras entidades. Na conversa informal, no culto na igreja, na mensagem transmitida procuramos sim, motivá-los para uma mudança de vida.

Por viverem nas ruas ou em albergues, estas pessoas não têm endereço, isso, para muitos é um sofrimento a mais em suas vidas. Nas ruas, seus documentos são perdidos ou roubados. Para muitas pessoas em situação de rua, os documentos são o último resquício de humanidade. Diante dessa preocupação começamos a fazer a guarda de documentos na secretaria da paróquia. Nela, cada morador de rua tem o seu envelope no qual pode guardar seus documentos e ter acesso a eles no horário de expediente da secretaria. Nas ruas usam uma cópia dos seus documentos originais.

Com a tragédia que se abateu sobre nós no dia 1º de maio de 2018, com o incêndio e a queda do edifício ao lado da nossa Igreja, destruindo grande parte da nossa Igreja e afetando o acesso as dependências comunitárias, após refazermos toda a infraestrutura básica da paróquia, na sexta-feira, dia 03 de agosto, retomamos as nossas atividades com o povo em situação de rua.

Foi um encontro muito emocionante e esperado por todos e todas. As voluntárias que, na manhã da sexta-feira, prepararam carinhosamente o lanche falavam da sua alegria em recomeçar este trabalho.

Às 14h iniciamos o momento de louvor e meditação ao som da música entoada pelos nossos membros Maurício Klug de Oliveira, no teclado, e Marcos Lopes, no violão. Refletimos sobre o texto do Salmo 122: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do Senhor”. Após a meditação todos compartilharam o lanche e o café e na sequencia o grupo de artesanato se reuniu para fazer os seus trabalhos coordenados pela Leila Klug.

Com alegria, também recebemos a notícia de que a padaria que fornece o pão para o lanche dos moradores de rua, doou todos os pães por um mês.
 

COMUNICAÇÃO
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Martim Lutero
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